Blog do segmento de cultura do programa Opinião Pernambuco


3.Poemas, Contos & Fotos

ODE DE MANUEL TAVARES CORRIGIDA

 

Com a ajuda do Fernando Neto, telespectador do Opinião e internauta sempre atento, finalmente vamos postar o texto corrigido do Manuel Tavares, Ode à Miséria, lido por Walmir Chagas no ar.

Hoje não cantarei o Recife de Manuel Bandeira

Da lira e das bandeiras liberais;

O Recife do "chicote queimado" da Rua da União

Do "coelho sai-não sai"

Hoje cantarei o Recife das mulheres da vida

E desses homens marginais

O Recife dos loucos, que estendem a mão e riem de si mesmos

Como se fossem seres tão normais.

[leia na íntegra]

 



Escrito por Cristiano Ramos às 17h11
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

DO VACATUSSA...

Seguem as aberturas de alguns textos do blog parceiro Vacatussa

Uma dor
Julieta Jacob

 

Sofreu e sofreu. Seu corpo começou a rejeitar cada carinho trocado naquela segunda-feira. E foram muitos. Fortes, intensos. Agora, escorregavam pelos poros, escorriam pelas pernas, eram levados pelas lágrimas. E como doía o corpo quente, inflamado. [leia mais]


 

Casa Vazia
Aline Arroxelas

 

Minha casa vazia.

As estantes tombadas.

Eu, perdida por entre as fotografias

do passado, do futuro desejado,

do presente espalhado.

As paredes que vão se desnudando aos poucos,

caindo literalmente em pedaços,

que recolho depois em feias caixas de papelão.

[leia mais]



Escrito por Cristiano Ramos às 14h02
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

MANUEL TAVARES LIDO POR WALMIR CHAGAS

Depois de muitos pedidos de telespectadores, eis os versos de Manuel Tavares (Ode à Miséria) lidos por Walmir Chagas no ar. Ele os recitou também na abertura do espetáculo Sou feio e moro longe. Porém, copiei de anotações do próprio Walmir, e creio que há muitas incorreções de pontuação etc. Então, se alguém puder disponibilizá-los no original, agradeço.

Hoje não cantarei o Recife de Manuel Bandeira, o Recife da lira e das bandeiras liberais, o Recife do chicote queimado na Rua da União, do coelho sai! Não sai! O coelho sai! Não sai. Hoje cantarei o Recife das mulheres da vida, e desses homens marginais, o Recife dos loucos que riem de si mesmos como se fossem seres tão normais. [confira na íntegra]



Escrito por Cristiano Ramos às 03h44
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

MAURO MOTA: ELEGIA Nº8

 

 

 

As mãos leves que amei. As mãos, beijei-as

nas alvas conchas e nos dedos finos,

nas unhas e nas transparentes veias.

Mãos, pássaros voando nos violinos.

 

Abertas sempre sobre os pequeninos,

mãos de gestos de amor e perdão cheias.

Mãos feitas para construir destinos

no céu, no mar, nas tépidas areias.

 

As mãos que amei em todos os instantes.

A carícia das mãos que iam colhê-las

eram as rosas que colhiam antes.

 

Se parecem dormir, não as despertes.

As mãos que amei, que desespero vê-las

cruzadas, frias, lânguidas, inertes!

                                                   (Elegia nº8)

 

 

Presente amigo de Everardo Norões, passei a última noite lendo o Obra Poética, de Mauro Mota, editado pela Ensol, em 2004, com apoio do Governo do Estado (Funcultura). Organização do próprio Everardo e de Sônia Lessa Norões. Uma reunião dos poemas já publicados e inéditos. A Elegia aqui postada foi lida durante uma das primeiras “Sextas Culturais” do Opinião Pernambuco, por Rubem Rocha Filho. Lembro de um telespectador que depois me cobrara o texto, via e-mail. Então, dívida paga...



Escrito por Cristiano Ramos às 03h10
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

UM INSTANTE SEMPRE

por diogo monteiro

 

 

 

     Todos perceberam o momento exato em que dona Julieta começou a morrer realmente. Não foi quando sua respiração tornou-se longa e descompassada, como se seus pulmões tragassem areia, e os sulcos do seu pescoço tornaram-se valas contráteis. Não foi quando as pontas de seus pés arroxearam-se, indicando que o coração tinha preguiça - ou, talvez, lhe faltasse um motivo palpável - de continuar com o trabalho que iniciara há tantos anos repetidos. Não foi nem mesmo quando, após três dias de imobilidade, ela tornou a cabeça para o lado em que sentavam os presentes naquele último quarto. Souberam que dona Julieta estava morrendo quando notaram que sua boca, embora não emitisse som, acompanhava a última Salve Rainha do rosário desfiado pelas três velhinhas automáticas que a velavam - uma irmã de quem guardava mágoas demais, mas não suficientes; uma prima que ressurgiu de um passado quase esquecido, assim que o câncer se fez anunciar; e uma vizinha dogmática, sempre pronta a rezar pelos mortos, ou quase, de quem quer que fosse. E nenhuma das três percebeu, que passaram a seguir a marcação dos lábios mudos dela. E ninguém entendeu porque, quando dona Julieta acabou de não dizer: "Rogai por nós Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo", sua boca se fechou, como se quisesse guardar sua alma dentro de si, como se tivesse ainda algo a dizer que não queria. É que ela um dia disse - e ninguém jamais lembraria - que achava muito feio alguém morrer com a boca aberta.

     E ela prendeu dentro de si o seu suspiro derradeiro, como se não exalá-lo, pudesse torná-lo eterno.

 

Diogo Monteiro é escritor e jornalista. Este conto faz parte do livro inédito Instruções para atravessar paredes.



Escrito por Cristiano Ramos às 02h08
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]

Histórico



Categorias
Todas as mensagens 1.Notícias & Entrevistas 2.Resenhas & Críticas 3.Poemas, Contos & Fotos 4.Comentários & Enquetes 5.Dos Blogs Parceiros



FALE CONOSCO

links

Blog do Opinião
Café Colombo
Revista Crispim
Continente Multicultural
Homero Fonseca
Rua do Padre Inglês
Estuário
Coquetel Molotov
Letras&leituras
Vacatussa
2ptos
Angústia Criadora